sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Estou de volta, galera..!!!

TRAGÉDIA/MORTES/DESCASO, NO IBURA

O sentimento de revolta tomou conta dos moradores da comunidade de Lagoa Encantada (que de “encantada” não tem nada), no Ibura, no Recife, com o deslizamento de uma barreira que atingiu duas casas matando cinco pessoas, quatro da mesma família. Horrível. As mortes trágicas de Francisco Sebastião da Silva, 92 anos; sua esposa, dona Honorina Maria da Conceição, 76 anos; a doméstica Genilda Maria Silva Pereira, 33 anos; Givanildo Luiz da Silva, 28 anos (todos da mesma família) e a criança Moab José da Silva Júnior, de 8 anos (morador da casa parcialmente destruída). Segundo noticiou a imprensa, a tragédia aconteceu na madrugada de ontem, 14, às 4h30 da madrugada quando todos dormiam. As vítimas e os moradores da área foram surpreendidos com um estrondo “que parecia que o mundo estava se acabando”, falou um dos moradores. Realmente, o mundo acabou para uma família composta de pessoas humildes. Mas, o que teria ocasionado essa tragédia?

PARA O POVO – Um deslizamento que poderia ter sido evitado se a Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) não tivesse ignorado os incessantes apelos feito pelos que morreram e seus vizinhos àquela companhia através do chamado telefone gratuito para pronto atendimento – 0800 que não serve absolutamente prá nada, principalmente quando se tem necessidade de fazer uso desse meio de comunicação. Moradores informaram que, no dia anterior ao fato, vários telefonemas foram feitos comunicando que uma tubulação d’água havia estourado e que a barreira estava absorvendo toda água e mais parecia uma esponja e, ainda, havia o perigo de um desabamento. Ocorre que, não existe nenhum atendente do outro lado do fio e sim uma gravação ridícula. De que adianta esse tipo de serviço se quem de direito não toma conhecimento de imediato ?

PARA O GOVERNO – Fazer qualquer prognóstico sobre as causas dessa ocorrência e as supostas denúncias feitas pelos moradores é uma precipitação. À princípio, o presidente da Compesa e Secretário Estadual de Recursos Hídricos, João Bosco Almeida, garantiu que o sistema de monitoramento (0800) não registrou nenhuma queixa dos moradores sobre possível vazamento d’água ou estouramento de tubulação. Claro que ele jamais tomaria conhecimento se ninguém estava atendendo o maldito 0800..! Interessante é que esse mesmo secretário alegou que “muitas vezes as tubulações da Compesa são rompidas justamente após um desabamento de barreira”. Isso quer dizer que o homem está tirando o dele da reta. Agora, o jeito é empanturrar os nossos ouvidos com as conhecidas promessas de governo, políticos e afins que vão tomar as devidas “providências” para fazer os reparos e garantir indenizações aos parentes das vítimas fatais, etc. Tudo conversa prá ‘boi dormir’ porque coisa semelhante aconteceu hà quase 13 anos, no Córrego do Boleiro, em Nova Descoberta e esse papo furado de INDENIZAÇÃO vem rolando na Justiça até hoje, sem que os familiares das 12 pessoas que morreram soterradas naquela tragédia vejam a cor dessa verba.

MOROSIDADE DA JUSTIÇA & ESPERTEZA DO GOVERNO

Na tragédia do BOLEIRO (como ficou conhecido), em Nova Descoberta, eu estava presente. Como repórter da TV Jornal fui designado para fazer aquela reportagem. Dia 29 de abril de 1996, ainda me lembro, era um dia de sol nem tampouco havia chovido durante a madrugada. Só que, numa tragédia TAMBÉM ANUNCIADA, uma tubulação da Compesa que havia estourado há dias. Como essa mesma Compesa não ligou para as denúncias e morro veio abaixo durante a madrugada. Mais de dez casas foram destruídas e arrastadas pela lama. Incrível, jamais vi coisa igual na minha vida..! Parte do morro foi abaixo como se fosse um montinho de areia na beira da praia destruído pelas ondas. Choro, desmaios, revolta, corpos soterrados e a lama descendo pela rua principal do Córrego do Boleiro. Um forte contingente de policiais e do Corpo de Bombeiros e homens da Defesa Civil trabalhavam, incansàvelmente, na tentativa de encontrar alguém com vida. Tentativa inútil. Todos estavam mortos. Jamais esqueci aquela tragédia que teve repercussão nacional.

MAIS UMA VEZ, as malditas PROMESSAS do governo de atender aos familiares das vítimas. Quase 13 anos depois e nada foi feito. Até hoje o Governo, através de recursos, jura inocência e vai empurrando com a barriga o problema. O mais incrível e inaceitável nisso tudo é que o Ministério Público deixou de acompanhar a movimentação desses processos na Justiça e até os advogados das famílias enlutadas, na época, da chamada “Causa Comum” nada fizeram para garantir a defesa dos pobres familiares dos mortos. Uma Justiça, lamentavelmente, MOROSA, que só fu nciona se for provocada, não está nem preocupada com quem perdeu seus entes queridos e para o Governo, quem morreu que..........para não dizer o que gostaria.

E AGORA ? É só rezar pelos mortos porque se depender de Governo e Justiça, uma palha sequer será movida em favor de A ou B. A máxima permanece: No Brasil, pobre só serve prá votar, ser preso, garantir eleições de certos políticos “PeTralhistas” (fazendo referência ao respeitado jornalista Reinaldo Azevedo, autor do livro “O País dos PETRALHAS”) através das “bolsas qualquer coisa” e morrer. Só isso.

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